"É normal ele ainda não ter perdido nenhum dente com sete anos?"
É a pergunta que mais aparece nos grupos de mães, e a resposta curta é: quase sempre sim. A resposta longa está abaixo, com a sequência esperada e os sinais que merecem atenção.
São 20 dentes de leite
A dentição de leite completa tem vinte dentes: dez em cima, dez embaixo. Todos caem, e todos são substituídos por dentes permanentes — que somam 32 na vida adulta, contando os sisos.
A troca não acontece de uma vez. Ela se arrasta por cerca de seis anos, dos 6 aos 12 na média.
A ordem esperada
Os dentes caem, em geral, na mesma ordem em que nasceram. A sequência típica:
Incisivos centrais inferiores — os dois da frente de baixo. Por volta dos 6 a 7 anos. São quase sempre os primeiros.
Incisivos centrais superiores — os dois da frente de cima. 6 a 7 anos. São eles que criam o sorriso banguela clássico das fotos.
Incisivos laterais — os vizinhos dos da frente, em cima e embaixo. 7 a 8 anos.
Primeiros molares — os dentes largos do fundo. 9 a 11 anos.
Caninos — os pontudos. 9 a 12 anos.
Segundos molares — os últimos a sair. 10 a 12 anos.
Essas faixas são referências amplamente usadas em odontopediatria, não regras. Variação de um ano para mais ou para menos é comum e não indica problema.
O que altera o calendário
Herança familiar. Se você trocou cedo, seu filho tende a trocar cedo. É o fator mais forte.
Quando nasceram os primeiros dentes. Bebê que nasceu dente cedo costuma trocar cedo.
Meninas costumam trocar um pouco antes que meninos, na média.
Nada disso é motivo de preocupação isolado. O que importa é a progressão, não a data exata.
Quando vale procurar o dentista
Nenhum dente caiu até os 8 anos.
O dente permanente nasceu atrás do de leite, que continua firme — a tal "fileira dupla".
Um dente caiu por pancada, e não por rodízio natural.
O espaço ficou vazio por mais de seis meses sem sinal do permanente.
Este texto é informativo e não substitui consulta. Odontopediatra avalia com radiografia o que nenhum artigo consegue.
Vinte dentes, uma cerimônia
Aqui vai um conselho prático de quem já viu muita família se enrolar: não crie uma tradição que você precise repetir vinte vezes.
Nas primeiras quedas, o entusiasmo é alto e a fada aparece com pontualidade. Lá pelo sexto dente, alguém esquece, a criança acorda decepcionada, e a mágica fica com um furo.
A saída que funciona é marcar bem o primeiro — que é o único de que a criança vai lembrar de verdade — e depois simplificar. Ninguém precisa de vinte cerimônias iguais.
Sobre os primeiros minutos depois da queda e como guardar o dente, veja o guia do primeiro dentinho. Peças de recordação infantil estão em Presentes Infantis.